segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Pintar música com guitarra e com piano

Ricardo Rocha edita segundo álbum, "Luminismo", que nos traz uma dimensão diferente do músico.

O guitarrista e compositor Ricardo Rocha lançou o segundo álbum de originais, o duplo "Luminismo". No primeiro disco, toca como habitualmente o seu instrumento e no segundo a pianista Ingeborg Baldaszti interpreta originais por ele criados.

Ricardo Rocha tem 35 anos (nasceu do ano da revolução de Abril e isso por si só já é significativo) e uma forma peculiar de abordar a guitarra portuguesa. Apesar de evocar os nomes de Carlos Paredes e de Pedro Caldeira Cabral como faróis que o norteiam - e isso sente-se principalmente quando interpreta temas de ambos - o certo é que a forma como explora esse instrumento bem português nos atira para sonoridades contemporâneas. Ou seja, sente-se que os seus horizontes musicais são bem diversos e que há uma preocupação de arrancar a guitarra portuguesa ao passado e trazê-la para os nossos dias.

Ricardo é neto de um mestre da guitarra portuguesa, Fontes Rocha, tendo começado bem cedo a trilhar os caminhos da música. Aos 16 anos ainda terá hesitado entre o piano e a guitarra, mas o peso desta última, talvez pela herança de família, acabou por se impor.

Começamos por ouvi-lo em discos durante a década de 90 ao lado de João Paulo Esteves da Silva, Maria Ana Bobone, Vitorino, Sérgio Godinho, Carlos do Carmo, entre outros.

Em 2003, assinou o álbum de estreia, "Voluptuária", em guitarra portuguesa a solo, que lhe rendeu vários prémios, alguns dos quais nem sabia da sua existência. Quatro anos mais tarde gravou um disco de guitarradas, "Tributo à guitarra portuguesa".

No presente ano, Maria Ana Bobone e Isabel Roseta convenceram-no a compor fados e a mais recente estrela do meio, Carminho, convidou-o a interpretar um desses originais no seu disco de estreia.

Há poucos dias, Ricardo Rocha editou o grande projecto da sua carreira até ao momento, "Luminismo", álbum em que junta a escrita de temas destinados à guitarra portuguesa e ao piano.

No disco de guitarra, gravado na igreja do Convento dos Capuchos, na Costa de Caparica, interpreta dois temas de Carlos Paredes, três de Pedro Caldeira Cabral, um de Artur Paredes e seis de sua autoria. Nunca tinha tocado qualquer uma destas peças, "até porque nem gosto muito de me repetir", como confessou à agência Lusa.

No CD de piano, gravado no Auditório Olga Cadaval, em Sintra, Ricardo confia os seus originais à pianista austríaca Ingeborg Baldaszti, que habitualmente interpreta as obras de António Vitorino de Almeida. Alguns dos temas que aqui se ouvem têm mais de 10 anos. Mas uma coisa é certa: mostram-nos uma outra faceta do guitarrista e compositor, uma vez que nos faz navegar entre Scriabin , serialismo ou Pierre Boulez. Por aqui ficamos a entender porque é que a sua guitarra nos soa tão diferente das dos seus predecessores.

Luminismo é uma técnica pictória associada a pintores norte-americanos dos finais do século XIX. No presente caso, significa a criatividade de alguém que se serve da guitarra e do piano para pintar as suas paisagens musicais.
RUI BRANCO
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(Enviado por Hugo Reis, do Jornal de Notícias de hoje)

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