quinta-feira, 24 de junho de 2010

BALADA [DE COIMBRA]



Música: Maria de Melo Furtado Caldeira Geraldes de Bourbon (1864-1944)
Letra: Afonso Lopes de Almeida (1888-1953)
Incipit: Vai descendo a serenata
Origem: não identificada
Supercategoria: Canção de Coimbra
Subcategoria: composições com coro ou refrão
Data: 1917

Há! Há! Há! Há!

Vai descendo a serenata
Pelo Mondego, a cantar
E o rio canta na mata
E a mata canta ao luar...

Foi no Choupal; soluçante,
Deste-me um beijo final
Desde essa noite distante
Há rouxinóis no Choupal.

Vai descendo a serenata
Geme a guitarra plangente
Ai, a saudade não mata
Mas faz chorar muita gente!

E desde a tua partida
Que eu me sinto triste assim
É que ando dentro da vida
Sem vida dentro de mim.

Há! Há! Há! Há!

Inicia-se a parte vocal com a entoação de um coro com a vocalização dos Há(s)! a duas vozes. Cantam-se as duas coplas sem repetições e com um coro de três vozes a boca fechada a acompanhar o solista. No fim há uma coda de Há(s) pelo solista acompanhado também por 3 vozes.

Informação complementar:

Serenata em compasso 6/8, na tonalidade de Dó Maior (=Ré Maior na afinação coimbrã) publicada pela Condessa de Proença-a-Velha no opúsculo Os nossos poetas. Melodias portuguesas. Vibrações de hoje, Volume II, Lisboa, 1934.

Conforme já se anotou nas fichas de inventário de outros espécimes da Canção de Coimbra, a Condessa de Proença foi uma fidalga ilustrada musicalmente que nutriu grande admiração pela vertente ultra-romântica da Canção de Coimbra. Das obras que compôs para estudantes e intérpretes da Canção de Coimbra entre 1904 e 1917 destaca-se esta Balada que integra uma das suas publicações impressas.

A Condessa de Proença cultivou a literatura infantil, veia que a poderá ter aproximado do escritor e poeta brasileiro Afonso Lopes de Almeida. Afonso Lopes de Almeida (1888-1953), nasceu e faleceu no Rio de Janeiro, filho do português Felinto de Almeida e da escritora e militante abolicionista Júlia Valentim Lopes de Almeida. Como tal, não causa surpresa que o autor da letra aborde a ideossincracia coimbrã com olhos e vocabulário que não eram exactamente aqueles a que estavam mais habituados os estudantes da Universidade de Coimbra. As quatro coplas foram extraídas da poesia «Fado de Coimbra».

O trabalho de reconstituição deve atender, na medida do possível, ao facto de estarmos em presença de uma composição expressamente concebida para a animação de serões em salões fidalgos de inícios do século XX. Instrumentos como o piano, a guitarra e o violino complementavam-se.

Não conhecemos registos fonográficos desta composição.

Transcrição: Octávio Sérgio (2010)
Pesquisa e texto: José Anjos de Carvalho e António M. Nunes

Balada de Afonso Lopes Almeida e Maria Geraldes de Bourbon sound bite

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