sábado, 10 de outubro de 2009

FADO, Património da Humanidade

Está em fase de conclusão a candidatura do FADO a "património da humanidade". É de toda a justiça que esta tradição musical tão ligada ao povo deste país tenha esta distinção. Muito se deve ao Prof. Rui Vieira Nery, à Prof. Salwa Castelo Branco (ambos distintos professores de Etnomusicologia) e ao esforço de muitas outras entidades, nomeadamente a Câmara Municipal de Lisboa. Esta candidatura vai obrigar a que se recolham todas as gravações (em fio, em fita, em discos de 78rpm, discos analógicos, CD, etc) espalhadas por todo o mundo , que se digitalizem, que seja constituido um arquivo musical, e que se façam trabalhos de investigação sobre o fado e sobre a guitarra portuguesa. Todavia, assalta-me uma mágoa: é que julgo que toda a tradição do fado estilo coimbrão, será omitida... A isso se deve, não só o tradicional centralismo lisboeta, mas, muito principalmente, a apatia, a falta de iniciativa e de força política da cidade de Coimbra, do seu município e, até da sua Universidade. Se assim for, é uma tremenda injustiça para o fado de Menano, Betencourt, Luiz Goes, Zeca Afonso e tantos outros, sendo que os primeiros dois gravaram fados no estrangeiro logo que surgiram as primeiras gravações. Para não falar na injustiça que é feita à guitarra portuguesa na variante coimbrã que, desde Artur Paredes, a Carlos Paredes, António Portugal, Jorge Tuna, Pinho Brojo, Octávio Sérgio, Francisco Martins e tantos outros, transformaram a guitarra num instrumento digno das salas de concerto!
Rui Pato

3 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

Um comentário pleno de razão.
Saibam os cultores da música de matriz coimbrã (diferente de "os habitantes/estudantes de coimbra", note-se) recorrer a uma equipa de trabalho séria, que enleve o trabalho dos autores citados e de tantos outros.

10 de outubro de 2009 às 15:32  
Blogger Blunt disse...

Realmente é uma triste lacuna. Se propositada ... nem classifico, se por ignorância ... também não. Mas registo.

A responsabilidade desta omissão ficará para sempre associada aos nomes dos que a subscrevem.

Melo da Silva

10 de outubro de 2009 às 15:56  
Anonymous Anónimo disse...

As palavras sábias de Rui Pato dão voz ao que tenho sentido nos últimos dias. Não devíamos ficar calados.

Manuel Portugal

11 de outubro de 2009 às 00:43  

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