sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

PAISAGEM SONORA DAS SERESTAS DE DIAMANTINA (BRASIL)

Uma proposta de audição

O Dr. Fernando Marques ouviu e sugeriu uma audição atenta aos seguintes links com registos fonográficos de serenatas tradicionais de Diamantina, Minas Gerais, comunicados no ciberespaço através do blogue http://paraisodasvariedades.blogspot.com/2010/09/kinksmania-musicas-grupo-de-seresta .
As gravações realizadas pelo Grupo de João Chaves de Montes Claros entre 1968-1979 espelham uma realidade vocal, poética e instrumentística que, no mínimo, convida a uma aliciante comparação com a paisagem sonora das serenatas da cidade de Coimbra, reenviando para posturas vocais e instrumentísticas anteriores ao processo de ultra-romantização a que foi sujeita a Canção de Coimbra. Falamos das celebradas serenatas-bandolinatas que os académicos davam nas ruas da Alta e nas barcas que sulcavam o Mondego na época de veraneio. Mas não só. Também das serenatas fluviais que os populares da cidade faziam no Mondego e das cantorias interpretadas nos intervalos das danças dos arraiais de São João Baptista.
Do que se diz não fica tudo dito, pois que o caprichoso bandolim e a solene melancolia das vozes em peças como Lua Branca mergulham-nos numa atmosfera serenateira muito açoriana que ainda hoje se pode ouvir em cantorias dadas na Ilha Terceira ao som da viola da terra.
Continua a faltar uma acareação entre os cultores e os estudiosos destes géneros e práticas musicais que parecem ter partilhado um fundo comum antes de cada qual seguir seu caminho.

1 - Grupo de Seresta João Chaves de Montes Claros - Modinhas ( 1978)
Há 39 anos o então Grupo de Seresta de Montes Claros - que, em 1968 passou a se Chamar Grupo de Seresta João Chaves – ganhava, em Ouro Preto, o 1º Concurso de Serenatas. Participaram desse grupo o violão de Sinval Fróes, o bandolim de Sebastião Mendes (Ducho) e as vozes de Celestino da Cruz (Telé), João Leopoldo França, Nivaldo Maciel, Clarice Maciel, Josefina de Paula, Maria de Lourdes Chaves (Lola), Selma Abreu e Teresa Maia Cunha, com direção de Hermes de Paula.
E la vai mais um discão, diretamente de Montes Claros, Modinhas foi o segundo álbum lançado pelo selo Marcus Pereira.
Modinha é um diminutivo de moda, tipo mais antigo de canção portuguesa. Mário de Andrade, em Modinhas Imperiais escreveu: ¨É jeito luso-brasileiro acarinhar tudo com diminutivos.
A palavra modinha nasceu assim. Assim também por razões de carinho, de choro nasceu o chorinho.
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Lado A
01 – Perdão, Emília – Clarice Maciel e João Leopoldo França
02 – O Gondoleiro do Amor – João Leopoldo França
03 – Ave Ferida – Adélia Miranda
04 – Saudade – Clarice Maciel
05 – Lua Branca – Luiz Procópio Andrade
Lado B
01 – Elvira Escuta – Nivaldo Maciel
02 – Stella – Nivaldo Maciel
03 – Na Casa Branca da Serra – Raimundo Chaves
04 – Acorda Minha Beleza – Nivaldo Maciel
05 – Chuá, Chuá – João Leopoldo França

2 - Grupo de Seresta João Chaves de Montes Claros - Música Popular do Norte de Minas Gerais (1979)

Lado A
01 - Chuá Chuá – Pedro As Pereira, Ari Pavão e J.Leopoldo França
02 – Saudade –Jaime Redondo e Clarice Maciel
03 - Elvira Escuta – DP. Folclore Mineiro – Nivaldo Maciel
04 - Ave Ferida – Hermenegildo Chaves, João Chaves e Adélia Miranda
05 – Sonho - Hermenegildo Chaves, João Chaves e Raimundo Chaves
Lado B
01 - Luar do Sertão – Catulo Paixão cearense e Adélia Miranda
02 - Lua Branca – Chiquinha Gonzaga e Nivaldo Maciel
03 - Só tu não Pensas em Mim - DP. Folclore Mineiro, clarice Maciel e Josefina de Paula
04 - Alma Cabocla – Dulce Sarmento e João Leopoldo França
05 – Stela – Ademar Tavares e Nivaldo Maciel

3 - Grupo de Seresta João Chaves de Montes Claros - Música Popular do Norte de Minas Gerais (1979)

Lado A
01 - Fazendeiro Rico - Grupo de Seresta João Chaves
02 - Cadê Papai? - Grupo de Seresta João Chaves
03 - ABC do ABC - Josefina de Abreu Paula e João Leopoldo França
04 - Casa Santa (Cálix Bento) - Grupo de Seresta João Chaves
05 - Canto de Folia - Grupo de Seresta João Chaves
06 - Aboio - Nivaldo Maciel e Gilberto Câmara
07 - Rosa Branca - Grupo de Seresta João Chaves
Lado B
01 - Na Lagoa Que Tem Léu - Nivaldo Maciel
02 - Barca Nova - Grupo de Seresta João Chaves
03 - Antoninho e o Pavão do Mestre - Tino Gomes
04 - A Velha - Nivaldo Maciel
05 - Aquarela Sertaneja - Grupo de Seresta João Chaves

4 - Grupo de Seresta João Chaves de Montes Claros - Ouro Preto e Serenata (1970)

Lado A
01 – Camélia – Folclore Mineiro / Solista - João Leopoldo França
02 – Lágrimas do Passado – Folclore Mineiro / Solista - Celestino Soares Cruz
03 – Na Casa Branca da Serra – G. Passos e M. Pestana / Solista – João França
04 – Eterna Lembrança – João Chaves/ Solista – Celestino soares Cruz
05 – Quebrei A Jura – Catulo da Paixão Cearense / Solista Nivaldo Maciel
Lado B
01 – Pout-Pourri do Folclore Mineiro
02 – Sonhei Que Dormia – Folclore Mineiro / Solista - Nivaldo Maciel
03 – Saudades – Casemiro de Abreu e Lola Chaves
04 – Sereno da Madrugada – Folclore Mineiro / Solista - Clarisse Maciel

5 - J.K. em Serenata (1968)
Filho de Diamantina Juscelino adorava serenata, em especial quando se cantava o "Peixe vivo", canção folclórica que acabou se convertendo numa espécie de hino com que Juscelino era saudado em toda parte. Em 1968, por iniciativa do amigo e antigo assessor Serafim Jardim, gravou texto de apresentação para este disco – JK em serenata – de seresteiros diamantinenses. Amante das artes, Juscelino Kubitschek tinha gosto musical variado. Mas a predileção era por modinhas e valsas, que costumava ouvir nas serenatas feitas por grupos de seresteiros em Diamantina (MG), no Catetinho e até no Palácio da Alvorada. Sempre na interpretação de Dilermando Reis, mestre do violão e grande amigo do ex-presidente.

Lado A
01 – Mensagem de JK
02 – Recorda-te de Mim – Marina Higina
03 – É A Ti Flor do Céu – Modesto A. Ferreira e Dr. Teodomiro A. Pereira
04 – Meiga Virgem – Folclore Diamantinense
05 – A Sempre Viva – França Junior
Lado B
01 – Varrer-te da Memória – Folclore Diamantinense
02 – Elvira Escuta – João Marcelo de Andrade
03 – Impossível – Marina Higina
04 – Pout-Pourri – Folclore

António M. Nunes

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