A UM HOMEM COM UM GRANDE H
E ARTISTA COM UM ENORME A
Polybio Serra e Silva
O AURÉLIO é, como sabeis,
Também AFONSO, como o primeiro,
O pioneiro,
DOS nossos REIS.
Nascido com muitos dons,
Para a arte dos sons,
Cedo teve desejo
De aprender solfejo
E não se saiu mal:
-Aprendeu a solfejar
Antes de soletrar
A Cartilha Maternal!
Diz-se que o avô, exigente
Regente
Da Banda da Pampilhosa,
Em atitude orgulhosa,
Sem demanda,
Levava o menino,
Pequenino,
Para os ensaios da Banda.
E numa semana Santa,
Veneranda,
Quando numa varanda,
Uma manhã,
O Aurélio estava a ver
Passar a Procissão
Com o avô a reger
Uma marcha de Chopin,
Com emoção
O garoto
Apontou
E gritou
Nessa manhã de sol:
-Aquele maroto
Tocou mal.
Era um bemol
E ele tocou natural.
Nada mal!
Outra das suas paixões,
De menino de calções,
Foi a Briosa
Que aclamava em polvorosa
E, para fazer jus
A esta paixão,
O puto, malandrão,
Faltava às aulas do José Falcão
E ia para o “Santa Cruz”,
Causando polémica,
Assistir aos treinos da Académica.
Um dia o pai, prevenido,
Ficou escondido
A ver se ele aparecia
Mas ele, desconfiado,
Ou avisado,
Nesse dia não vai
E quem fica também viciado
É o pai…
A partir de então,
Segundo sua irmã,
Era enorme a discussão
E impossível aturar tal clã.
Vivia em S. Bartolomeu
Quando se deu
O feito da Taça de Portugal
E os jogadores,
Vencedores,
O que está certo,
Vieram de Condeixa
Em carro descoberto.
O Aurélio pediu à tia
Para deixar ir a irmã
Ver os jogadores.
Mas a tia, pouco cordata
E um pouco bera,
Disse que só com pessoa sensata
O que o Aurélio não era.
Porém,
Lá aceitou
E deixou
Porque foi também.
Ora, na Portagem,
Para mostrar o Tibério à irmã,
O Aurélio fez derrapagem
E demorou quase até de manhã.
Perante tamanho frete
A tia recolheu
A S. Bartolomeu,
Ao seu abrigo,
Dando, ao Aurélio, um raspanete
E à irmã um mês de castigo.
Quando para a Tuna entrou,
Levou,
Com ar triunfal,
Uma viola pequena, artesanal,
Com cravelhas de madeira
À maneira.
Viola linda, um amorzinho,
Oferta do avozinho.
Mas quase fazia pena,
Fazia confusão,
Ver aquele matulão
Com uma gaita tão pequena
E os colegas, sem compaixão,
Como num orfeão,
A dizer todos, de pé:
-Lá vem o grandalhão…
Com o “bidé”!
Quando pôs fitas, com o Lemos,
Bebido um garrafão, pelo menos,
Houve saltos à peixe, com vivacidade,
No Parque da cidade
E, como a gente
Quente
Nem sempre escapa,
Houve perda de óculos e de capa.
Depois de passar
À Reserva militar
Foi trabalhar
Para Góis, Alvares e Souselas
Onde, eles e elas,
Todos dele gostavam
E o apreciavam
Por não se cansar
De trabalhar
E ter sempre para dar,
Além do profissionalismo,
Muito humanismo.
Terminado o fadário
Do trabalho diário
De João Semana,
Fechado no escritório
Era notório
Vê-lo, com muita gana,
Mostrando, apaixonado,
Como numa prece,
O seu interesse
Pelo estudo do Fado.
A mulher costumava dizer
Que ele pensava mais no fado
Do que nela
E que, apaixonado demais,
Gostava mais
Da máquina de escrever
Do que dela.
Do Homem e do Artista
O que dizer?
Está tudo à vista
Mas muito ainda para escrever!
Com tudo o que eu disser
O Aurélio só tem a perder
Porque, apesar do meu empenho,
No todo e em parte
Me falta tanto a arte
Quanto o engenho.
Só direi,
Afirmarei:
-É Homem com um grande H
E Artista com um enorme A!
Naturalidade,
Idade,
Local de nascimento,
A vida no Regimento,
Artistas com o egrégio
Privilégio
Do seu acompanhamento,
Com quem tocou,
Quantos guitarristas
E cantores acompanhou,
Quantos CDs gravou,
Quantos doentes tratou…
Está quase tudo escrito,
Editado,
Lido, dito
E respigado.
Na Tuna Académica
Nunca criou polémica.
Brilhante
Executante,
Um primor
De ensaiador
E Presidente
Excelente.
Falando pouco
Fez sempre de tudo um pouco!
Chave mestra
Das violas da Orquestra
Da Associação
Dos Tunos Antigos
Foi sempre uma lição,
De amizade e perfeição,
Só criando amigos.
Estando sempre rente
Foi um Tuno diferente
Um Tuno de excelência
Uma referência.
Nos conjuntos de Fado
Esteve sempre ao lado
Dos melhores
Guitarristas e cantores,
Interpretando o fado
Com muita garra,
Vendo sempre passar ao lado
As “ políticas de guitarra”.
O que ainda hoje nos consola
É vê-lo no palco sentado
Sendo, para o vizinho do lado,
Pela sua segurança,
E liderança,
Um compêndio de viola.
O seu Fado
Foi sempre o da Lusa Atenas
A quem não ofereceu apenas
O virtuosismo da sua mão
Mas, também
Como ninguém,
A alma e o coração.
Admiramos a sua pose austera
Quando lidera
E, com muita graça,
Abraça
O violão
Bem junto ao coração.
Violão que ele dedilha
Com mão macia
Como quem acaricia
Uma filha.
Com meiga mão
Afaga o braço do violão
E tem o ensejo
De, em cada arpejo,
Com o bordão,
Dar nova expressão
Ao Fado, à Canção
Que lhe está no coração.
Então,
Como num nó,
Homem e Violão
São um só!
Polybio Serra e Siva numa caricatura a um decano dos violas de Coimbra: Aurélio Reis.
GUITARRA DE COIMBRA III
Continuação dos Blogs Guitarra de Coimbra II (http://guitarrasdecoimbra.blogspot.com/) e Guitarra de Coimbra I (http://guitarradecoimbra.blogspot.com/)
terça-feira, 7 de julho de 2009

A Orquestra Clássica do Centro vai executar a 9ª Sinfonia de Beethoven nos dias 10,11 e 12 de Julho de 2009.
Os concertos terão lugar em Fátima ( 10) , na Lousã ( 11) e em Coimbra ( 12).
Este projecto conta com a participação de 30 músicos Alemães. Também os solistas serão Portugueses e Alemães. Serão cerca de 150 músicos em palco.
entrada é gratuita
Organização: Orquestra Clássica do Centro com a colaboração da Associação Landesjugendorchester NRW
Choral Aeminium
apoio : Embaixada Alemã em Lisboa,
Câmara Municipal de Coimbra
Câmara Municipal de Lousã
Mecenas: REN
Orquestra Clássica do Centro com a participação da Landesjugendorchester NRW
Solistas: Mário Alves - tenor, Andreas Hoerl – Baixo , Dora Rodrigues - Soprano, Anna Haase, Contralto
Choral Aeminium – direcção Cristina Faria
Maestro Virgílio Caseiro
9ª Sinfonia "A Coral" de Ludwig Van Beethoven (1770-1827).
Esta obra foi terminada em 1824. É considerada como precursora do romantismo. Caracteriza-se pela introdução de elementos inovadores em relação à anterior corrente, o Classicismo. Pela primeira vez, na história da Música, são introduzidas vozes (solistas e coro) numa sinfonia. Esta sinfonia está estruturada em quatro movimentos, profundamente contrastantes.
O último andamento, é uma criação musical sobre a "Ode à Alegria - Freude" do poeta e filósofo Friedrich Schiller.
Atendendo à superior dificuldade desta obra, a sua realização é um excelente promotor da responsabilização artística de quem nela participa e um garante superior daqueles que a produzem e montam no terreno. Esta obra será realizada por um grupo de 30 músicos alemães, propositadamente anexados à orquestra clássica do centro, de acordo com um protocolo de colaboração cultural antecipadamente estruturado, no sentido de permitir uma densidade instrumental concernente com a obra em questão. Contará assim com uma orquestra com cerca de 65 músicos, a que se acrescenta ainda o coro de Coimbra Aeminium (com cerca de 80 vozes) e solistas vocais de ambos os países. Os ensaios decorrerão na sede da OCC (Pavilhão Centro de Portugal) e concretizar-se-á com a realização de concertos, nos dias 10, 11 e 12 de Julho póximo, em Fátima (Centro Paulo VI) , Lousã (Anfiteatro Parque Carlos Reis) e Coimbra (Sé Nova).
Telf : 239824050 / Fax : 239 824052 / Telm : 916994160 / Morada: Pavilhão Centro de Portugal / Av da Lousã / 3030 - 476 Coimbra
www.orquestraclassicadocentro.org; www.pavilhaocentrodeportugal.net
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Glória Correia
Entrei em tua casa
pela tua mão
o espanto de teu sorriso
sempre me comoveu...
abriu-se a grande sala
e ouviu-se pela grafonola
Menano e Bettencourt
fiquei maravilhado!
depois entoaste "ó virgens que passais ao sol poente..."
e insististe que eu, naquela sala
o mesmo recitassee
Tu ouvias-me como um menino guloso:
"quero mais Aurelino!"
até que a balada de Régio"
ai choro com que o Paredes
vibrando os dedos em garra..."
fez estremecer a casa...
e Tu, continuavas a olhar-me,
como um menino guloso :
"quero mais Aurelino,
bota aqui para o gravador!"
depois, contigo sentado
olhos nos olhos
brindámos
num mosto de Porto
a alegria de estarmos,
enamorados
num mesmo canto...
( À memória do querido amigo, Dr. Alfredo da Glória Correia
Póvoa de Varzim, 6 de Julho de 2009.
Aurelino Costa)
Alfredo da Glória Correia
Morreu Alfredo da Glória Correia, no passado dia 23-6-09, estava eu em digressão pela Grécia com o Coro dos Antigos Orfeonistas. Quando cheguei encontro esta pequena notícia no Diário de Coimbra do dia seguinte, tão pequena que quase passou despercebida. De notar que a foto não vinha incluída na notícia. É assim que se vão tratando os cultores da Guitarra e Canto de Coimbra. Nem na morte são devidamente reconhecidos pelas gentes desta Coimbra madrasta!domingo, 5 de julho de 2009
quinta-feira, 2 de julho de 2009
José Afonso
Fotobiografia de José AfonsoIntegrado na colecção Fotobiografias do séc. XX, edição do Círculo de Leitores, com direcção de Joaquim Vieira e, neste caso, texto da historiadora Irene Pimentel, eis a a fotobiografia de José Afonso.
O lançamento está marcado para 15 de Julho na Casa da Imprensa, pelas 18.30. O livro vai estar à venda nas livrarias Bertrand
Do Blog da AJA http://vejambem.blogspot.com/
Etiquetas: José Afonso
No próximo dia 8, pelas 18:00 na Casa Municipal da Cultura, Rua Pedro Monteiro, vai proceder-se ao lançamento em Coimbra do livro “A Outra face do Espelho”.Com edição de “Campo da Comunicação”, a obra de José Henrique Dias é composta pelas crónicas que o professor universitário publicou, nos anos mais recentes, nos jornais de Coimbra “O Despertar” e “Centro”.
Inclui desenhos inéditos de Nadir Afonso e prefácio do romancista Fernando Campos.
A apresentação da obra estará a cargo de Cristina Robalo Cordeiro, Vice-Reitora da Universidade de Coimbra.
“Os lugares são sobretudo Coimbra e Lisboa, uma fugidia referência a Chaves e à Figueira e pouco mais. O tempo recua para trás da vida do Autor, memória das memórias dos mais velhos, e vem até aos nossos dias. Se se fizesse um índice de pessoas e factos referidos, que acervo de riqueza de cultura, humanismo e humanidade, desde o nomear de escritores, artistas, cientistas, actores, médicos, advogados, professores, músicos, políticos, saltimbancos, contorcionistas, trapezistas, que sei eu!...” – escreve Fernando Campos no prefácio, acrescentando:
“O antes e depois do 25 de Abril não podia deixar de ter especial lugar… com nomes, factos e rememorações…e, se se verrinam os tempos da “outra senhora”, não se deixa de lançar olhar crítico aos grafitti que maculam tudo quanto é parede (“…a arte e os equívocos…”), as florestas de cimento que desfiguram, nas cidades, o que era écloga…
Notável a “capacidade de lidar com as palavras e as imagens”, diz uma personagem, mas nós sentimos que, por detrás dela, está o Autor e este sentimento de eco autobiográfico mais de uma vez nos acode ao espírito…O médico (que não quis ser) está presente e o filósofo e o poeta, além, claro, do jornalista… .”.
José Henrique Dias nasceu em Coimbra, em 1934. Licenciado em História, fez Mestrado em História Cultural e Política na UNL e é doutorado pela mesma universidade em História e Teoria das Ideias, com especialidade em História das Ideias Sociais. Depois de uma longa carreira no ensino público, leccionou na Universidade Nova de Lisboa, depois de aposentado no ISCEM e actualmente é presidente do Conselho Científico do Instituto Superior Miguel Torga.
Desde os verdes anos ligado à escrita, integrou em Coimbra tertúlias de que entre outros faziam parte Zeca Afonso, Louzã Henriques, Manuel Alegre, António Portugal e Levi Baptista. A partir de finais dos anos cinquenta e primeiros anos da década de sessenta do século passado, integra o grupo polarizado por Edmundo de Bettencourt, no Café Restauração, junto à estação do Rossio, frequentada por nomes cimeiros da literatura e da arte portuguesas, publicando entre 1956 e 1969, ininterruptamente, séries de crónicas semanais. Tendo-se dedicado ao ensino e à actividade teatral como encenador, o seu trabalho centrou-se mais na investigação sobre o século XIX, primeiro no domínio das ideias políticas, depois na sociocomunicação teatral.
Instado por colegas, regressou às crónicas em jornais de Coimbra, primeiro em O Despertar, ultimamente em Centro, retomando um dos seus velhos títulos, A outra face do espelho. É uma colectânea dessas crónicas que agora se apresentam neste livro, onde, ficcionadas, passam momentos de vidas marcadamente no espaço e tempos de uma Coimbra sempre mítica e evocações de figuras da música coimbrã, de que também foi, ainda vai sendo, cultor.
3 de Julho, pelas 21h30, no Pavilhão Centro de Portugal - inauguração da Exposição de Pintura/Instalação de Benvinda Araújo “Coimbra - Imagens do Feminino”.Durante o evento, serão proferidas duas palestras e um recital de poesia no âmbito da referida temática.
As palestrantes convidadas são Isabel Delgado e Graça Miguel.
O recital de poesia, ”Nos Silêncios do Meu Eu”, excertos de poesia de Rosa Calisto, irá ser dito por Luís Machado com ilustrações musicais de Klara Pankovych ao piano.
5 de Julho
15h30
Quinteto de Cordas OCC
Coreto ( Parque da Cidade)
18 horas - Pavilhão Centro de Portugal - a Orquestra Clássica do Centro vai realizar mais um concerto dentro do ciclo de concertos pedagógicos,desta vez voltados para um tema único, genericamente designados por "Aprenda a gostar de Música". Com a regularidade de um concerto por mês, com este ciclo se pretende de forma continuada transmitir conhecimentos sobre a gramática e a sintaxe musical, em patamares aferidos aos auditores em questão - crianças e adolescentes. Virá a ser assim mais uma etapa de divulgação pedagógica musical acrescentada à que no ano passado se concretizou com a apresentação dos instrumentos da orquestra.
Na pática, pretende-se este ano criar um diálogo sobre música, durante cerca de uma hora, onde as intervenções e perguntas são a todo o momento possíveis. Em cada sessão será dada particular relevância a cada um dos principais parâmetros da música: altura, intensidade, duração, tímbe e forma.
Cada concerto terminará com a participação de todo o público que assim o deseje, ao som de um ou mais instrumentistas da OCC.
Virgílio Caseiro - Maestro
Organização : Orquestra Clássica do Centro
Apoio : Águas de Coimbra / Museu da Água
( Entrada gratuita)
Telf : 239824050 / Fax : 239 824052 / Telm : 916994160 / Morada: Pavilhão Centro de Portugal / Av da Lousã / 3030 - 476 Coimbra
http://www.orquestraclassicadocentro.org/; http://www.pavilhaocentrodeportugal.net/





































































