sábado, 24 de julho de 2010





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Faz hoje um ano que morreu Nuno de Carvalho. Em sua homenagem, Álvaro Aroso escreveu esta interessante peça para guitarra de Coimbra. Está tocada por si em guitarra e pelo seu filho, Hugo Aroso, na 1ª viola.

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segunda-feira, 17 de maio de 2010

AS LARANJEIRAS

Música: Jorge Possollo de Leão e Carvalho, dedicada "A meus tios - Barões de Almofalla"
Letra: Branca Possollo de Leão e Carvalho
Incipit: Laranjeira, a tua flor
Origem: Coimbra
Data: ca. 1922-1923
Supercategoria: Canção de Coimbra
Subcategoria: composições estróficas
Código: PT/CO/CC/E.033

Laranjeira, a tua flor
É cor da neve e, de amor,
Faz bater o coração (bis)
Lembram noivas ao luar
Quando vêm de noivar,
Trementes de comoção.

Laranjeira, a tua flor
Tem um delicado odor
Que embriaga os corações. (bis)
São pombas brancas voando
Dos pombais, em doce bando,
À procura de ilusões.

Laranjeira, a tua flor
Possui da candura a cor
Simbolizando a pureza, (bis)
Por isso são cor da esp'rança
Ou do mar quando em bonança
As folhas a que está presa.

No canto apenas se repete o 3.º verso de cada sextilha.

Informação complementar:

Composição musical estrófica em compasso e tom de Ré menor. As Laranjeiras teve edição musical impressa na casa P. Santos & Cª. - Salão Mozart, Rua Ivens, 52-54, Lisboa, em 1923.
Não se conhece memória oral desta composição nem registo fonográfico.

Transcrição: Octávio Sérgio (2010)
Texto: José Anjos de Carvalho e António M. Nunes


AS Laranjeiras em MIDI sound bite

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domingo, 2 de maio de 2010


ÀS ESTRELAS
Música: 1.ª parte de autor desconhecido; 2.ª parte de autor desconhecido
Letra: 1.ª e 2.ª quadras de Augusto José Gonçalves Lima (1825-1867); oitavas
e quadra final de João Martins Barbosa Carneiro (1833-1857)
Incipit: Lindas, mimosas safiras
Origem: Coimbra
Função inicial: divertimento, serenata de cortejamento, serenata estudantina
Supercategoria: Canção de Coimbra
Subcategoria: fado corrido
Data: ca. 1847-1852; 1890
Protecção: domínio público
Referência: PT/CO/CC/2PM.02

Lindas, mimosas safiras
Que o véu da noite bordais,
Dizei-me estrelas, dizei-me,
Se acaso também amais?

Tereis somente por norte
Luzir, luzir e não mais?
Não creio, estrelas, não creio,
Sois tão formosas, amais.

Vós estrelas tão formosas
Que a terra de luz banhais,
Dizei-me, oh astros da noite,
Porque tão belos brilhais.

Suspensas lá nesse espaço,
Criadas pelo Senhor;
Vós, estrelas, dais à noite
Melancólico fulgor.

O velho, que vê dispersas
Da infância as saudosas flores,
Ao ver-vos inda se lembra
Do tempo dos seus amores.

A virgem sorri mimosa
À vossa luz que estremece,
E o ateu um Deus eterno
Ao fitar-vos reconhece.

Estrelas, vós sois um livro
Que aos mortais abrem os céus,
Sois a página brilhante
Onde leio amor e Deus.

Os dísticos cantam-se e repetem-se tanto na 1.ª como na 2.ª parte. Os dísticos podem ser cantados apenas por solista e bisados em coro, esquema usual em muita da música tradicional portuguesa. Nada obsta a que a copla correspondente à 2.ª parte seja integralmente cantada em coro.

Informação complementar

Composição com duas partes musicais em compasso binário e tom de Sol Maior (Lá Maior na afinação de Coimbra). A melodia é singela, moldada pelo padrão do fado corrido. O que não é propriamente comum no século XIX é um fado corrido ter duas partes musicais, embora possamos encontrar fados assim estruturados, o que acontece com uma variante do popular Fado da Severa (Tenho vida amargurada) que também se cantava e ponteava ao som da banza conimbricense. No cabeçalho da solfa vem "nocturno", indicando que esta melodia era utilizada nas serenatas dadas pelos estudantes de Coimbra.

Solfa recolhido em Coimbra no ano de 1890 pelo estudante sócio fundador da TAUC Manuel Maria de Castro Corte-Real que não menciona autoria de música nem correlaciona de todo esta composição com o nome de Augusto Hilário que conhecia e admirava. Partitura integrada na compilação orientada por César das Neves - Cancioneiro de Músicas Populares. Volume I. Porto: Typographia Occidental, 1893, pp. 192-193.

Estudiosos houve, como Alberto Pimentel (A triste canção do sul, 1904), que nimbados da leitura dos índices finais do cancioneiro de César das Neves relacionaram Às Estrelas com a Augusto Hilário. Sem provas seguras, não arriscamos sequer um "atribuído a", sendo pacífico apenas que a composição fez parte do repertório hilariano. A primeira parte, anterior ao nascimento do próprio Hilário, é um típico fado corrido em tom maior. O acrescento (2.ª parte) pode ter sido feito pelo famoso guitarrista Jaime de Abreu, que brilhou na década de 1880 como tuno, guitarrista e membro da orquestra do Teatro Académico. Do que não há dúvidas é que este era um dos vários "fadinhos" com que Hilário arrebatou ouvintes masculinos e femininos na primeira metade da década de 1890, ainda antes de ter feito as suas própias composições. Daí que, bem conhecido o reportório hilariano, seja de questionar com bons argumentos a "teoria" que pretendia que o chamado Fado de Coimbra, derivado monegeneticamente do Fado vindo de Lisboa, teria sofrido uma primeira e marcante distanciação estética com Augusto Hilário.
Ora, a análise das fontes epocais demonsta o contrário, que Hilário afadistou a Canção de Coimbra, na nomenclatura, na importação de células fadísticas e até no enxertamento do acompanhamento do Fado Corrido nas monodias conimbricenses.

As primeiras duas coplas fazem parte de uma estrofe de doze versos da autoria de Augusto José Gonçalves Lima, poeta colaborador de O Trovador (1844-1848), bacharel em Direito, mais tarde Governador Civil de Lisboa, Administrador do Bairro do Rossio e funcionário do Ministério do Reino (Odivelas, 1825; Lisboa, 1867). Lima, poeta de convicções liberais, foi o autor da letra do Hino do Batalhão Académico de 1847. Tal facto, catapulta a primeira parte da melodia para finais da década de 1840, inícios de 1850, sendo as coplas primitivas de 1847. Outro importante indicador para a datação é a antologia Murmúrios, Lisboa, 1851, na qual o autor reune a maioria das produções.

O autor das duas oitavas e da quadra final foi João Martins Barbosa Carneiro, poeta, jornalista e escritor nascido e falecido na cidade do Porto (1833-1857). Colaborou em O Bardo e em A Grinalda e deixou o romance A voz do Condenado. O texto poético de Barbosa Carneiro terá sido acrescentado em 1893 à solfa remetida de Coimbra por Gualdino de Campos, literato que formou equipa com César das Neves e coordenou a parte potética do cancioneiro.

A melodia contém o "ADN" de uma composição gravada na década de 1920 por José Paradela de Oliveira e António Batoque com a designação de Fado Antigo (Por ti perdi o sossego).

Esta composição tem feito parte das serenatas anualmente apresentadas pelo Grupo Folclórico de Coimbra que a re-interpreta com tocata completa.

Não se conhece qualquer registo fonográfico de Às Estrelas.

Transcrição: Octávio Sérgio (2010)
Texto e pesquisa: José Anjos de Carvalho e António M. Nunes

Projecto: recolha, salvaguarda e divulgação do Património Canção de Coimbra

A's Estrellas Música em MIDI sound bite

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quarta-feira, 17 de março de 2010

ABSORTA


Música: Maria de Melo Furtado Caldeira Giraldes de Bourbon (1864-1944)
Letra: José Maria de Sousa Monteiro (1846-1909)
Incipit: Escuta absorta
Função inicial: serão nobiliárquico
Data: década de 1890
Categoria: composição com duas partes musicais
Referência: PT/CO/CC/2PM.01

Escuta absorta à varanda
Entre oculta na hera em flor,
A guitarra que lhe manda
De longe... na aragem branda
Quentes protestos d’amor. (bis)

Cautela minha trigueira,
Das mãos de anjo e pés de fada,
Não te enleve a alma a toada
Desses requebros traidores,
Que, se tanto geme a arteira,
Não é d'amor... é d’amores. (bis)

Informação complementar:

Serenata em compasso quaternário, escrita na tonalidade de Lá menor, com a segunda parte em Dó Maior e remete em Lá menor.

Esta composição foi publicada pela autora, Condessa de Proença-a-Velha, na brochura Os nossos poetas.Volume II. Lisboa, 1934. Maria Giraldes de Bourbon era casada com o 2.º Conde de Proença-a-Velha João Filipe Pita, formado em Direito pela Universidade de Coimbra.

Fidalga culta, deixou literatura infantil (ver Fadas e Encantos, 1929) e pelo menos dois volumes impressos de textos poéticos musicados para piano. Grande amante do então chamado Fado de Coimbra, a Condessa de Proença apreciava os estilos de Alexandre Resende e de António Menano. Da referida autora, António Menano chegou mesmo a gravar a Canção do Luar, uma autêntica tela tardo-romântica. À semelhança de outras famílias fidalgas do tempo, a Condessa de Proença dinamizou ao longo dos anos nos seus solares serões potético-musicais e divertimentos de salão a que não faltavam os amadores conimbricenses. Alguns terão decorrido na Foz do Arouce, Lousã. Ela própria compôs obras de aproximação ao reportório da Canção de Coimbra.

O autor da música não será Eduardo Sousa Monteiro, magistrado, mas o escritor, poeta e jornalista José Maria de Sousa Monteiro.

A mulher aborta nos seus próprios pensamentos foi um tema caro às elites letradas e à burguesia endinheirada da Belle Époque. O assunto chegou a ser representado em gravuras arte nova e foi alvo de circulação em revistas e postais.

Transcrição: Octávio Sérgio (2010)
Texto e pesquisa: José Anjos de Carvalho e António M. Nunes

Projecto: recolha, salvaguarda e divulgação do Património Canção de Coimbra

Absorta em MIDI sound bite

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quinta-feira, 11 de março de 2010

AS CONTAS DO MEU ROSÁRIO

Música: João de Oliveira Anjo (1916-2007)
Letra: João de Oliveira Anjo (1916-2007)
Incipit: Nas contas do meu rosário
Origem: Coimbra
Data: 1944

Categoria: composições estróficas

Protecção: obra protegida pelo artigo 31.º do Código do Direito do Autor e dos Direitos Conexos pelo período de 70 anos após a morte do autor
Referência: PT/CO/CC/E.32

Nas contas do meu rosário
Rezo penas e segredos
São passos do calvário
Que choro por entre os dedos.

Amor que bate no peito
Bate-que-bate sem fim
Tanto bate de tal jeito
Que batendo bate em mim.

Informação complementar

Composição musical estrófica para solista masculino em compasso 4/4, na tonalidade de Mi menor, justamente um dos mais remotos e festejados tons em que se ponteavam as melodias da Canção de Coimbra na viola toeira. Contém dissonâncias.
Oriundo de uma família humilde de operários da Fábrica Vista Alegre, de Ílhavo, o Maestro João de Oliveira Anjo foi quadro das Forças Armadas, tendo dedicada a maior parte da sua vida à regência de bandas militares em Coimbra e nos Açores. Radicado em Coimbra no final da década de 1930, conviveu com diversos vultos da Canção de Coimbra como Flávio Rodrigues, Manuel Branquinho, António Ralha, Jorge Gomes e membros da Tertúlia do Fado de Coimbra. Durante a sua estadia profissional na Ilha de São Miguel catapultou a Banda Regimental de Ponta Delgada para um lugar de excelência. Foi membro clarinetista e compositor no Rancho das Tricanas de Coimbra, e sozinho ou em colaboração com o músico Manuel Eliseu assinou diversas composições para teatro. Casado com Julieta Eliseu, filha do mítico compositor, José das Neves Eliseu, viveu os últimos anos marcado pela perda da esposa e da filha.

João de Oliveira Anjo deixa uma obra vastíssima no âmbito da Canção de Coimbra, tendo composto desde 1944 até praticamente 2005. Gravaram obras de sua autoria Manuel Branquinho (Morena dos meus abrolhos, com adulteração da melodia) e José Paulo (Coimbra tão Formosa). José Miguel Baptista conhecia e interpretou peças de João Anjo como Ó Madrugada Silente. João Anjo não era um compositor qualquer. Era detentor de solidíssima formação musical e manejava com desenvoltura a pena poética. Quando se juntava com cantores e tocadores onde estivesse por exemplo António Ralha, gerava-se o mais anárquico e extraordinário humor conimbricense onde não faltavam dichotes, gargalhadas, clarinetadas a imitar a cantadeira minhota esganiçada ou um nostálgico Balancé das Fogueiras do São João. No Verão não faltava à Praia de Mira, onde reunia amigos e propiciava hilariantes cantorias. Guardamos cassetes de notável serão dos idos de 2002, onde João Anjo "contracena" com António Ralha, José Paulo e Manuel Dourado.

José Paulo conhece a obra de João Anjo e bem sabe que este grande amigo da Canção de Coimbra muitas vezes o exortou a gravar em suporte fonográfico a obra que fica. O Maestro João de Oliveira Anjo considerava as composições estróficas a jóia da coroa da Canção de Coimbra. Com efeito, cada uma das que compôs e escreveu são testemunho desse elevado quilate.

Espécime recolhido em 2001 e transcrito a partir da solfa autógrafa cedida pelo Maestro João de Oliveira Anjo.

Transcrição: Octávio Sérgio (2010)
Texto e recolha: José Anjos de Carvalho e António M. Nunes

Projecto: recolha, salvagurada e preservação do Património Canção de Coimbra
(esta é a ficha n.º 31 do nosso inventário de composições estróficas,
assinalada com PT [Portugal], CO [Coimbra], CC [Canção de Coimbra], E
[composições estróficas], 31 [número sequencial no inventário])

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sexta-feira, 5 de março de 2010

AS ANDORINHAS

Música: Jorge Possollo de Leão e Carvalho, dedicada À Exmª. Senhora D. Ana
da Câmara Leme
Letra: Adriano Gonçalves
Incipit: Lá vão ao longe, nos ares
Origem: Coimbra
Data: ca. 1922-1923
Categoria: composições estróficas

Lá vão ao longe, nos ares,
No seu voo triunfal,
Meigas, tristes andorinhas.
Volvem saudosos olhares
Às terras de Portugal
Que elas choram, coitadinhas.(bis)

Seguem tristes, com vagar,
Para outros céus, outras terras,
Donde não voltam, talvez.
Vão saudosas por deixar
Nossos campos, nossas serras,
O lindo céu português. (bis)

Aqui tudo diz amor,
Aqui tudo amor lhes canta,
Desde a serra até ao vale,
Tudo é canteiro em flor,
E o sol que mais encanta
É o sol de Portugal.(bis)

Aqui deixam, com saudade,
Estes mimos de encantar
Deste paíz bem fadado,
Onde Deus, numa outra idade,
Este mundo ao modelar
Pôs o seu maior cuidado. (bis)

Mas pelas manhãs de Abril,
Radiantes de belezas
Com o perfume das rosas,
No seu voo tão gracil
Às odorosas devezas
Voltam belas, venturosas.(bis)

Voltam de novo, felizes,
Ouvir os meigos segrêdos
Desta praia ocidental,
Voltam a ver os matizes,
Das flores, dos arvoredos,
Dos campos de Portugal. (bis)

No canto apenas se repete o último verso de cada sextilha.

Informação complementar
Composição musical estrófica em compasso 4/4 e tom de Mi menor, com introdução e coda. O autor da música, Jorge Carvalho, deixou obra musical significativa, que apesar de ter corrido impressa, não parece ter feito época nem deixado memória. Algumas das peças são dedicadas pelo autor aos seus tios, titulares do baronato de Almofala (particularmente o 2.º titular,
Eduardo Augusto Possolo Correia de Leão. 1880-1933).
Edição musical impressa na casa P. & Santos C.ª., Salão Mozart, Rua Ivens, 52-54, Lisboa, em 1923. Esta canção é a n.º 7 de uma série de 10, intitulada "Cantares de Coimbra", com música deste autor.
Não confundir esta composição com Fado das Andorinhas, gravado em 1910 por António Ferreira, seguindo o estilo vocal Manassés (78 rpm Gramophono 3-62343), nem com Fado das Andorinhas (Porque os meus olhos de apartem), gravado em 1928 por José Paradela de Oliveira (78 rpm HMV EQ 174), o último criação de Paradela de Oliveira conquanto erroneamente atribuído a Artur Almeida d'Eça.
Não conhecemos qualquer registo fonográfico destas "Andorinhas" de Jorge Carvalho.

Transcrição: Octávio Sérgio (2010)
Texto e pesquisa: José Anjos de Carvalho e António M. Nunes

Projecto: recolha, salvaguarda e divulgação do Património Canção de Coimbra

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A MENINA DOS OLHOS NEGROS

Música: autor desconhecido
Letra: autor desconhecido
Incipit: Menina dos olhos negros
Origem: Brasil
Data: 2.ª metade do século XIX

Menina dos olhos negros,
Ardo por ti de paixão:
Menina dos olhos negros,
Queres tu meu coração?

Como tu não há na terra
Tão linda, tão bela flor;
Menina dos olhos negros,
Queres tu o meu amor?

Da capela dum arcanjo
És luzinha desprendida,
Menina dos olhos negros,
Queres tu a minha vida?

São eles duas estrelas
Tiradas do firmamento:
Menina dos olhos negros,
Queres tu meu pensamento?

Quero ser teu e tu minha,
Por uma doce união,
Dou-te todo o pensamento,
Alma, vida e coração.

Canta-se o 1.º dístico e repete-se; canta-se o 2.º e bisa-se.

Informação complementar:
Canção musical estrófica de melodia vincadamente singela, em compasso 4/4 e tom de Ré Maior. Solfa impressa em César das Neves (1841-1920) - Cancioneiro de Músicas Populares. Volume II. Porto: Typographia Occidental, 1895, p. 84.

Não confundir esta obra com Olhos Negros da Guiné, celebrada composição do folclore da Ilha Terceira que também se cantou nas serenatas de Coimbra (não terá ido de Coimbra para os Açores?).

Transcrição: Octávio Sérgio (2010)
Texto: José Anjos de Carvalho e António M. Nunes

Projecto: recolha e salvaguarda do património da Canção de Coimbra

A Menina dos Olhos Negros em MIDI sound bite

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Era uma vez ... o amor




Para ouvir o som da partitura em MIDI






Era uma vez ... o amor sound bite
ERA UMA VEZ... O AMOR
Música: Francisco Sequeira Serrano Baptista
Letra: Francisco Sequeira Serrano Baptista e José Maria Vieira de Assis Pacheco
Incipit: O amor
Origem: Coimbra
Data: 1935

I

O amor
Tem o perfume
Duma flor
E, como o lume,
Dá calor
Que abrasa o coração...

Mesmo assim,
Logo arrefece,
Chega ao fim
E cedo esquece!...
Para mim
Não passa de ilusão...

REFRÃO

Era uma vez... Mas para que contar
Um romance de amor, qualquer?
Dois corações, batendo a par,
Em extase, a murmurar
Poemas que eu não sei dizer...

Era uma vez... Mas há no mundo alguém
Que não saiba de cor
As estrofes ideais,
Vibrantes, triunfais,
Da eterna canção do Amor?

II

Mas, se houver
Um beijo quente
De mulher,
Já novamente
Torna a arder
A chama ideal.

E... que tem?!
Se um beijo é doce,
Sabe bem...
E que o não fosse,
Já ninguém
Num beijo encontra mal!


Cantam-se a 1ª e a 2ª estrofes seguidas, seguindo-se a refrão sem repetições; cantam-se a 3ª e a 4ª estrofes, finalizando-se com o refrão.

Informação complementar:
Valsa-canção com refrão, em compasso ternário (¾) e tom de Dó Maior, composta pelo cantor e guitarrista Serrano Baptista e editada em 1935 na casa Olímpio Medina, de Coimbra, com capa desenhada por Santos Figueira. Esta valsa grangeou enorme populariadade na década de 1930 nos grupos activos nos actos de variedades que complementavam as actuações do Orfeon e nos saraus académicos. Um desses grupos, dedicado à música ligeira e hawaiana era o Hulla’s Player, integrado por Serrano Baptista e seu cunhado Carminé Nobre.
A música, de agradável audição, é claramente influenciada pela banda sonora de filmes norte-americanos que Serrano Baptista visionava no antigo Teatro Avenida de Coimbra, cujas melodias tinha o hábito de anotar.
Não conhecemos registo gravado desta obra nem quem na actualidade a saiba interpretar. Como tal, seria importante que um dos muitos grupos que se dedicam à interpretação da CC quisesse apostar na reconstituição deste tema, conferindo o devido destaque ao refrão.

Transcrição musical: Octávio Sérgio (2010)
Recolha e texto: José Anjos de Carvalho, António M Nunes
Partitura cedida por Joaquim Pinho

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quinta-feira, 21 de maio de 2009


FADO DE SANTA CRUZ
Música: Fortunato Roma da Fonseca (séc. XX)
Letra: 1ª quadra de João Penha de Oliveira Fortuna (1838-1919); 2ª e 3ª quadras de Fortunato Roma da Fonseca
Incipit: Igreja de Santa Cruz
Origem: Coimbra
Função inicial: serenata de cortejamento (?)
Data: ca. 1923

Igreja de Santa Cruz,
Feita de Pedra morena,
Dentro de ti vão rezar
Uns olhos que me dão pena.

Quando estavas na igreja
A teus pés ajoelhei
À Virgem por mim rezavas,
À Virgem por ti rezei.

E na crença e na vertigem
Logo em fé te converti
E em vez de rezar à virgem
Rezava, mas era a ti.

Canta-se o 1º dístico, repete-se, canta-se o 2º e repete-se.
Esquema do acompanhamento:
1º dístico: Láb M /// 2ªLáb, Láb M;
2º dístico: Láb M /// 2ªLáb M, Láb M

Informação complementar
Serenata clássica em compasso 4/4 e tom de Láb Maior. De estrutura silábica, foi inicialmente destinada a solista masculino, com acompanhamento singelo de guitarra toeira. A 1ª quadra é uma variante burilada pelo poeta e estudante de Direito João Penha a partir de redondilha popular antiga. José Leite de Vasconcelos, em apontamentos por ele recolhidos em 1892 na Quinta da Ponte, freguesia de Espinho, anotou a seguinte quadra:

Adeuzz...igrâija de Sã Pedro
Fâita de pedra muréna
Cândo eu lá ôiço missa
Doiz ólhos é que me dão péna
(Cf. J. Leite Vasconcelos, OPÚSCULOS, Vol. VI, Parte II, IN-CM, 1985, págs. 358-360).

Outras variantes eram conhecidas antes de 1860 um pouco por todo o país:

Igreja de de Santa Cruz
Feita de pedra e cal
Dentro dela ouvem missa
Uns olhos que me fazem mal.

Igreja de Santa Cruz
Feita de cal e areia
Dentro de ti vai rezar
Um amor que me falseia.

Afonso Lopes Vieira, em Cancioneiro de Coimbra, Coimbra, Arménio Amado, 1918, p. 131, dá conta de outra variante popular de Coimbra:

Igreja de Santa Cruz,
Toda de pedra morena,
Dentro de ti ouvem missa
Uns olhos que me dão pena.

Este tema foi divulgado em Coimbra pelo póprio autor, tenor e serenateiro que o ensinou a Edmundo Bettencourt. Roma da Fonseca, filho de Augusto César da Fonseca, era natural do Alandroal, Alentejo. No ano lectivo de 1921-1922 frequentava o 1º ano da Faculdade de Medicina da UC, instituição onde se viria a formar. É ainda conhecido como autor de outras duas obras leterário-musicais:

-TRISTE (Ai daqueles que só amam), gravado em 1926 por António Batoque (cf. Fado de Coimbra Nº 7: Vento não batas à porta); gravado em 1927 por Lucas Rodrigues Junot (cf. Triste: Ai daqueles que só amam); gravado em 1927 por José Paradela de Oliveira (cf. Um Fado Triste: Assim chego a teus pés); gravado em 1997 por Augusto Camacho Vieira (cf. Canto de Bem-Querer: Dizem que o bem que se conhece);
--CRUCIFICADO (Ave-Marias são beijos), sendo a letra de Francisco Bastos, gravado por Edmundo de Bettencourt e José Afonso.

Segundo os dados disponíveis até ao momento, Roma da Fonseca não gravou quaisquer fonogramas nem reduziu as suas obras a partitura impressa. Em 25.06.1970 fez registar na antecessora da SPA a autoria de Fado de Santa Cruz, cujo verbete dera entrada na instituição em 12.06.1970.
A versão que se recolhe e transcreve em partitura corresponde à matriz gravada por Edmundo Bettencourt no disco de 78 rpm COLUMBIA 8123 (master WP 306-2), gravado em Lisboa no ano de 1928, acompanhado em 1ª guitarra toeira de Coimbra por Artur Paredes, em 2ª guitarra por Albano de Noronha e, em violão de cordas de aço por Mário Faria da Fonseca. No disco vem a indicação de a música ser de Fortunato Roma da Fonseca mas, quanto à letra, é omisso. Bettencourt vocaliza a 1ª e a 2ª coplas, omitindo a 3ª. Gravação disponível no LP Fados de Coimbra. Edmundo de Bettencourt, Lisboa, ano de 1984, EMI-Valentim de Carvalho, 2402451, Lado 1, faixa nº 6 (também em cassete), sendo totalmente omisso quanto à identificação dos instrumentistas e às novidades presentes no fonograma (expressividade vocal, arranjo de Artur Paredes, 1ª e 2ª guitarras, afinação de Coimbra); também em compact disc: Heritage, HT CD 15, da Interstate Music, editado em 1992; CD Arquivos do Fado. Coimbra Fado (1926-1930), Volume II, Macau, ano de 1994, Tradisom, TRAD 005, faixa nº 10 (cópia do anterior), omisso em autorias e identificação dos instrumentistas; CD Edmundo de Bettencourt. O Poeta Cantor, Funchal, Discos Popular/Produções Valentim de Carvalho, ano de 1999, 560 5231 0047 2 5, faixa nº 10, omisso na identificação dos instrumentistas.
António Menano gravou este tema em Dezembro de 1928, em Berlim (Disco de 78 rpm ODEON, LA 187.815 - Og 1034), acompanhado em guitarra de Lisboa por João Fernandes e no violão aço por Mário Marques. Menano omite a 1ª copla, começa por cantar a 2ª quadra (Quando estavas na igreja) e, como 2ª copla, canta esta outra: E na crença e na vertigem / Foi então que eu me perdi;/Em vez de rezar à Virgem/Rezava mas era a ti. Ou seja, Menano estropia de forma grosseira a 2ª quadra, confirmando a nossa leitura no sentido de que terá arriscado gravar em sessões distintas avultado número de matrizes sem apoio de cadernos com títulos/letras/tons/autorias: canta justamente o 3º verso, adultera a 2º (ouve-se: Foi então que eu me perdi), e no 3º omite a conjunção copulativa “E”. Em termos interpretativos, modifica ligeiramente a melodia corresponde ao 2º dístico da copla, fenómeno tributária da oralidade que rodeava os processos de reprodução desta manisfestação artística.
O fonograma Menano encontra-se disponível em vinil: Album de Fados de Coimbra – António Menano, Vol. II, disco 2, EMI-VC 2612291, editado em 1986) e em cassete; também em compact disc: CD António Menano – Fados, EM;I-VC 7243 8 34618 2 0, editado em Setembro de 1995.
José Paradela de Oliveira, em Maio de 1927, acompanhado à guitarra em afinação natural por Francisco da Silveira Morais e António Lopes Dias (violão), também gravou este mesmo espécime (disco His Master’s Voice, EQ 86 master 7.62173), mantendo-lhe o título mas substituindo a 2ª quadra por esta:

Lágrimas de portugueses
Se todas fossem ao mar
Já não houvera no mundo
Terra firme onde chorar.

Estamos em crer que a 2ª quadra registada por Paradela é do próprio e remonta à digressão da TAUC ao Brasil no Verão de 1925. A versão Paradela, a mais ultra-romântica da década de 1920, está disponível em compact disc: CD Heritage, HT CD 15, da Interstate Music, editado em 1992; CD Arquivos do Fado. Fado de Coimbra (1926-1930), Volume II, Macau, ano de 1994, Tradisom, TRAD 005, faixa nº 17 (cópia do anterior), omisso em autoria e instrumentistas; remasterização em Col. Um Século de Fado/EDICLUBE, CD Nº 1/Coimbra, EMI 7243 5 20633 2 1, editado em 1999. Outra remasterização no CD Biografia do Fado de Coimbra, Lisboa, EMI-Valentim de Carvalho, 724353097721, ano de 2000, faixa nº 7, com identificação correcta dos instrumentistas. A interpretação Paradela, alicerçada numa entoação arrastada e embaladora, insere-se na estética Ultra-Romântica.
Adriano Correia de Oliveira cantava este tema mas que não o chegou a gravar. Como 2ª quadra propunha a seguinte:

Ingrata, se fores à missa
Não te aproximes da Cruz
Que o pobre Cristo não veja
O teu olhar que seduz.
(Cf. Mário Correia, Adriano Correia de Oliveira. Vida e obra, Coimbra, Centelha, 1987, pág. 213).

Muitos foram os cantores gravaram este tema. Por vezes, na discografia, aparece erradamente como título o incipit Igreja de Santa Cruz.
Gravações disponíveis em compact disc de outros cantores:
-Tempo(s) de Coimbra, disco 1, EMI 0777 799608 2 8, editado em 1990 (canta Alfredo Correia); remasterização da antologia vinil de 1984, acompanhado por António Portugal/António Brojo/Luís Filipe/Aurélio dos Reis;
-CD Tertúlia do Fado e Coimbra – Coimbra... terra de encanto, Videofono, VCD 50001, editado em 1993 (canta Victor Nunes);
-CD Dr. Serra Leitão, Discossete, CD 951000, editado em 1993, acompanhado por António Ralha/Jorge Gomes/Manuel Dourado;
-CD Fados e Baladas de Coimbra – ...do Choupal até à Lapa, Vidisco, 11.80.1208, editado em 1994, faixa nº 5: vocalização do cantor profissional Valdemar Vigário, omissa no tocante aos instrumentistas, confundindo o incipit com o título e atribuindo erroneamente a autoria a “Luis Goes”;
-CD Doutor Camacho Vieira – Colectânea de 1990-1994, Discossete, 1014-2, editado em 1995;
-CD A nossa Selecção de Fados, Baladas e Guitarradas de Coimbra, Discossete, 1172-2, disco 2, editado em 1997 (Serra Leitão);
-CD Coimbra – Fados, ballads & guitars, Colecção das Naus, NAU CD 017, editado em 1998 (Serra Leitão);
-CD João Queiroz, Movieplay, FF 17.024, editado em 1998;
-CD Frederico Vinagre – Fados e Guitarradas de Coimbra, Metro-Som, CD 151, editado em 2001, acompanhado por Octávio Sérgio/Durval Moreirinhas;
-CD Coimbra é uma saudade, Coimbra, Aeminum Records, AE 002, ano de 2002, faixa nº 4: vocalização de Mário Gomes Pais, acompanhado por António Jesus/Carlos Jesus/Paulo Larguesa/Bernardino Gonçalves.

Fado de Santa Cruz é uma das obras mais popularizadas do universo estrófico da Canção de Coimbra. Através de audições discográficas, transmissão oral e programas rádio-televisivos foi trauteada e assobiada um pouco por todo o Portugal e espaços ligados à emigração. A melodia simples e a estrutura silábica, bem ao gosto de muitas melodias populares, ajudaram a ditar tamanho sucesso. Em Coimbra é, entre outras valências, uma obra de escola para cantores principiantes. Existem solfas em Carlos Caiado, Antologia do Fado de Coimbra, Coimbra, 1986, págs. 64-65; idem, Manuel Pereira Resende, Melodias de sempre. Fados, Nº 33, Cucujães, Edição do Autor, 2003, págs. 28-29.

Não deve confundir-se este tema com dois outros títulos semelhantes que nunca chegaram a ser gravados:

-Fado de Santa Cruz (Lá na aldeia sertaneja), música de Paulo de Sá, 1925;
-Fado de Santa Cruz (Hei-de morrer a pedir), música de António Menano, ca. 1929.

Transcrição: Octávio Sérgio (2009)
Recolha e texto: José Anjos de Carvalho e António M. Nunes

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segunda-feira, 11 de maio de 2009


"Escorço sobre o tom de Lá" de Álvaro Aroso. Peça para guitarra de Coimbra com acompanhamento de viola dedilhada.

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sexta-feira, 8 de maio de 2009

ORAÇÃO







Partitura de "Oração", para guitarra de Coimbra, de Fernando Xavier, do livro "Recordações de Coimbra - Peças para Guitarra".

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